Uma travessia...por vezes fácil, outras vezes difícil. Um deserto, onde se tenta desesperadamente encontrar um oásis para ai permanecer, pelo menos na triste ilusão de ser feliz.

dezembro 23, 2004

Natal

Ás vezes já não sei o que é o Natal...
Sinto-me triste quando assim penso, e tento encontrar o significado de tudo isto. De todo este fulgor que numa determinada altura do ano, acontece. Quando toda a gente tenta ser simpática, quando tentamos nós próprios encontrarmo-nos.
O Natal não me diz muito. Tenho uma família pequena, completamente dividida, e sempre foi dificil encontrar um sitio onde passar esta época. Altura que devia ser de paz, para mim sempre foi um tormento. Saber quem vou magoar por não estar com eles, saber quem vou agradar, aquilo que perco e o que ganho. É triste. Mas sempre foi assim. Lembro-me de um único Natal em que fui feliz, um único ano em que tive todos aqueles que mais gostava ao meu lado. Tinha 4 anos. Estavamos nós em 1989. Há muito que passou...mas ainda tenho memórias. Lembro-me da azáfama que reinava em casa dos meus avós do alentejo, dos outros que chegavam com prendas, do cheiro a comida, dos bolos...
O Natal continuou. Voltou-se a repetir. Mas diferente. Os avós deixaram de vir. As prendas continuaram a existir mas com outro significado. Já não era fazer alguém feliz, mas comprar sentimentos. Quando recuo no tempo, sempre me lembro de um Natal que eu não queria que chegasse. Ia ser mais um dia de decisões.
Agora, hoje, próximo de mais um desses dias, já fiz as minhas escolhas. Vou passar o Natal com quem realmente eu gosto e sei que gostam de mim. Com aqueles que eu amo e que sei que não haverá muitos mais natais para passar...porque a vida é assim...acaba.
Vou passar o Natal à frente da lareira, a comer bolos, a ver filmes, a olhar para a lenha que arde, mas com duas pessoas que vivem sempre a pensar em mim. Vamos passar os três, sozinhos, divididos, mas será mais um Natal.

2 comentários:

Claudia Raposo Correia disse...

Este ano também somos menos, mas como diz o meu avô: Poucos, felizes e bons. É assim que temos que pensar. beijinhos Laurinho e bom natal*

David Ponte disse...

O natal representa consumo.
Desejo-lhe uma feliz entrada em 2005, e que no próximo ano nos possa prendar com mais excelêntes leituras..